Jovem iraquiano agredido no 25 de abril

2-3 minutos

Na madrugada do dia 25 de abril – uma data que em 1974 era o preludio do fim da ditadura, que amordaçava a liberdade do povo português há mais de 40 anos – por volta da 00:45, Omar Al-Hayli, um jovem refugiado iraquiano residente em Portugal desde 2019, foi para casa numa bicicleta, após ter estado a cantar “Grândola Vila Morena” com tantos outros no Largo do Carmo, celebrando esta data tão importante não só para cidadãos portugueses, como para todos os que vivem em território português. O Omar está em Portugal há tempo suficiente para saber a importância da data, o significado que a mesma tem para o seu caso em particular, e faz sempre questão de estar presente para mostrar o seu respeito e reconhecimento. No entanto, o que viria a acontecer, fez com que Omar sentisse na pele o que era Portugal no tempo da repressão e violência.

Ao subir a Alameda, Omar foi confrontado por um grupo de cerca de 20 jovens. Entre insultos raciais e ameaças a sua integridade física, o jovem iraquiano decidiu ignorar e seguir o seu caminho. Para além de se encontrar em minoria, pretendia apenas chegar a casa e descansar, mas eles continuaram a persegui-lo, proferindo insultos xenófobos e racistas.

Quando o Omar decidiu parar para perceber o motivo daqueles insultos, acabou rodeado pelos cerca de 20 jovens que começaram a pontapear bicicleta e a empurrar o Omar.

Sentindo-se em perigo, Omar decidiu utilizar a sua câmara GoPro para registar o acto, isso assustou os agressores, e levou um deles a desferir um pontapé mais forte na bicicleta, fazendo com que o Omar perdesse o controlo da mesma.

Ao perceber que se encontrava numa situação de perigo iminente, Omar empurrou um dos agressores que tinha uma garrafa de cerveja na mão, ao cair no chão a garrafa partiu-se, o que espoletou uma reação mais violenta do grupo de jovens criminosos.

Omar viu-se então completamente cercado por cerca de 20 agressores, a batalhar pela sua vida. No meio das investidas e ataques, o criminoso que tinha dado o último pontapé na bicicleta do Omar agarrou numa pedra com a qual desferiu vários golpes violentos na cabeça da vítima, resultando em golpes e lacerações que necessitaram de sutura e assistência médica. Ao verificarem que Omar estava gravemente ferido, em vez de prestarem socorro, os criminosos decidiram por-se em fuga abandonando o local do crime, deixando a vítima sem os primeiros socorros – obrigatórios-, essa ação cívica coube a um outro imigrante que se prontificou a chamar a ambulância e a acompanhar o Omar durante todo aquele episódio triste e violento, e que cada vez mais tem sido recorrente.

Felizmente o desfecho desta hostilidade gratuita, e de raiz xenófoba, não levou a uma fatalidade, como já tem acontecido. No entanto, o aumento dos crimes violentos motivados por ódio racial tem vindo a ser uma temática constante desde a subida da extrema direita, e dos grupos fascistas neonazis, criando um clima de insegurança e medo nas comunidades imigrantes e racializadas.

BASTA!

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