Com o poder popular, a repressão policial pode acabar

2-3 minutos

Antes de tudo, queremos manifestar, mais uma vez, a nossa total solidariedade à família, amigos e vizinhos de Odair Moniz, a todos os bairros pobres, na luta contra esta ordem burguesa, que proclama “justiça para todos”. Na realidade, revela-se um engano, uma vez que dispomos de diversos exemplos, como este, que evidenciam de maneira contundente o caráter classista e racista de sua justiça.  

Esta situação, juntamente com outras, deveria nos causar indignação: um pai, um filho, um amigo é morto desarmado e o tribunal justifica como autodefesa. O que é mais grave, o agente da PSP Bruno Pinto, responsável pela morte de Odair Moniz, vai voltar ao trabalho.

Mas a luta ainda não terminou, nem nas ruas, nem nos tribunais. 

A família do Odair Moniz, assim como o Ministério Público, recorreram da decisão à Tribunal da Relação. Os recursos exigem a expulsão da PSP, o cumprimento de pena de prisão efetiva do condenado Bruno Pinto, com o argumento que este tinha clara a intenção de matar Odair Moniz quando fez os disparos, bem como a existência de contradições insanáveis. Os factos comprovados no Tribunal, assim como a fundamentação do acórdão, contradizerem com a decisão final do mesmo tribunal.

Seja como for, este caso não é isolado. Durante décadas tem sido assim: matar os pobres dos nossos bairros e culpá-los pela sua própria morte. Isso é particularmente evidente nas áreas pobres, conhecidas como Zonas Urbanas Sensíveis (ZUS), onde a polícia atua como um exército de ocupação em território ocupado.

A extensa lista de mortes, torturas inexprimíveis, sevícias e negação do direito à justiça torna claro que as forças mais reacionárias deste país estão cada vez mais a naturalizar a noção de que a polícia pode disparar contra indivíduos desarmados, especialmente pessoas pobres e/ou racializadas, como uma legítima defesa.

Mais grave, não é acidental: a repressão policial contra os bairros pobres faz parte da lógica deste sistema explorador e opressor, onde uma minoria está mergulhada numa torre de opulência e a maioria que trabalha passa a vida a contar os trocos até fim do mês, chafurdando-se na pobreza. Não é acidente, é configuração de fabrico de um sistema que deve ser abolido

A repressão policial tem de acabar.

A repressão policial pode acabar, se os bairros estiverem unidos. Essa barbaridade, assim como o aumento das rendas e custo de vida, se fortalece quando não participamos nas lutas pelo bem comum. Não somos poucos, só estamos desorganizados. 

Pelo poder popular

Fim às Zonas Urbanas Sensíveis 

Abaixo a violência policial, viva a paz

Abaixo a exploração, viva o aumento do salário 

Abaixo o racismo e a divisão, trabalhadores unidos

Estamos juntos, estamos fortes

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